Revista Brasileira de Interpretação Bíblica
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Published By Faculdades Catolicas - Departamento De Teologia

2596-2922

Author(s):  
Thiago Da Silva Pacheco

Pretendemos analisar a condenação às feiticeiras de Ex 22,17, buscando as origens históricas da norma no Israel Antigo e delineando os grupos sociais para a qual se destinava. Tal procedimento se dará por meio de uma análise crítica do Direito, considerando-o como o produto histórico dos indivíduos e grupos que detém o poder da força e do convencimento, capazes, por esta razão, de criminalizar categorias sociais a partir de seu projeto político, social e religioso. Neste sentido, a norma de Ex 22,17 é analisada comparativamente às normas mesopotâmicas de condenação à feitiçaria. O termo “feiticeira”, é verificado a partir de sua raiz e reincidência em outros trechos do Primeiro Testamento, relacionando-se sempre a práticas estrangeiras em contraposição ao que seria uma religião israelita original, e também relacionando-se a impureza sexual e prostituição. Tal perspectiva extrapolará as Escrituras, e será encontrada na literatura rabínica e nas interpretações judaicas quanto ao status de feiticeira, passível de ser atribuído às mulheres.



Author(s):  
Leonardo Agostini Fernandes


Author(s):  
Leonardo Agostini Fernandes

Ex 3,7-15 é a segunda cena da experiência mosaica no Horeb (Ex 3,1–4,18). Como Moisés adentrou no deserto, com o rebanho do seu sogro, YHWH, em sua teofania, adentrou e inflamou o íntimo do genro de Jetro para mostrar, pela vocação e missão, o sentido e o valor do seu aprendizado como pastor. Sob esta ótica, a presente reflexão objetiva propor uma interpretação de Ex 3,7-15 em chave narrativa. Após a introdução, a reflexão é desenvolvida a partir de três tópicos: 1) Texto segmentado e notas de crítica textual; 2) Delimitação e estrutura da seção; 3) Análise das subseções; encerrando-se com algumas considerações finais. Quanto à metodologia, abordagens diacrônicas e sincrônicas foram conjugadas, visando a melhor compreensão do texto. Ter sido encontrado por YHWH, deserto adentro, tornou-se um marco que revigorou em Moisés a força do altruísmo e da alteridade em relação ao seu povo sofrido sob a opressão do Egito.



Author(s):  
Ildo Perondi ◽  
Fabrizio Zandonadi Catenassi

O artigo tem como objetivo a discussão da colocação literária (Sitz in der Literatur) da bênção aarônica (Nm 6,22-27) e da estrutura da perícope, especialmente quando comparada com textos semelhantes, bíblicos e extra-bíblicos. Nossa proposta sobre a colocação literária foi influenciada particularmente pela narratologia, de forma que a bênção foi entendida como uma conclusão lógica dos caps. 1–5, os quais proporcionam uma visão triunfante da organização cúltico-militar dos israelitas no contexto da preparação para a marcha rumo a Canaã. Trata-se de uma garantia da presença de YHWH junto a seu povo a partir da mediação sacerdotal. O estudo das fórmulas semelhantes a Nm 6,22-27 permitiu afirmar que é muito antiga e foi bem conservada nos amuletos de Ketef Hinnom. Sendo assim, a versão consignada em Números deve ter inspirado outros textos bíblicos semelhantes, particularmente, dos salmos. Contudo, a estrutura presente no quarto livro do Pentateuco é particular e notável. As técnicas de emolduramento, paralelismos e acomodação gradativa de palavras, sílabas e consoantes dão ao texto um efeito litúrgico e popular poderoso. Ainda que a versão grega antiga proponha uma alteração dessa estrutura, nosso estudo destacou que a harmonia da versão final do Texto Massorético é inegável e irretocável.



Author(s):  
Cássio Murilo Dias da Silva

Este artigo tem como finalidade apresentar o novo fascículo da obra multivolume Biblia Hebraica Quinta (BHQ), sucessora da Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS). Antes de apresentar o projeto editorial da BHQ (ainda incompleto, com apenas oito fascículos publicados dos vinte e três programados), este artigo explica por que esta nova edição crítica da Bíblia Hebraica é chamada de “Quinta”. Para isso, percorre rapidamente o histórico das edições críticas anteriores (BHK1-2-3 e BHS). Em seguida, faz uma apresentação geral do projeto da BHQ e a compara com a BHS, nos seguintes aspectos: o aparato crítico e o comentário a ele, as massorás e as notas a elas. O aparato crítico, totalmente reformulado, tem novas siglas, utiliza novos manuscritos e, graças às novas tecnologias gráficas, incorpora novos recursos. Uma sessão dedicada a discutir as variantes textuais traz uma síntese do veredito do comitê editorial para cada caso contemplado no aparto crítico. As duas massorás (a magna e a parva) são igualmente discutidas e comentadas em sessões específicas de cada fascículo. Para que o leitor compreenda com mais clareza as mudanças desta nova edição crítica, o artigo toma como exemplo o caso de Lv 1,7: são transcritas e traduzidas algumas porções do fascículo, que deixam claros os avanços na discussão e na avaliação dos manuscritos, bem como a nova diagramação e os novos recursos disponibilizados na BHQ.



Author(s):  
Adriano da Silva Carvalho

A perícope 2Ts 2,1-17 é uma das passagens mais difíceis de interpretar no Novo Testamento. Seu grego é conhecido por ser irregular e impreciso: muitas frases elípticas, termos obscuros e giros linguísticos desconcertantes. Além disso, todo o assunto é apresentado de forma tão vaga que não é fácil esclarecê-lo. Neste artigo, serão investigados os contextos históricos, literários e textuais da perícope. Também serão analisadas algumas sentenças por estarem em conexão com as frases participiais. Finalmente, será sugerido que o autor de 2 Tessalonicenses não afirmou que a identificação de tais palavras podia ser conhecida por leitores de fora da comunidade dos destinatários originais. A chave para o entendimento do ensino escrito estava na reminiscência de um discurso oral. O intérprete moderno não tem essa chave.



Author(s):  
Gilvan Leite de Araújo

A autoridade no Quarto Evangelho é um tema desenvolvido de modo peculiar. Os personagens que exercem autoridade são apresentados, no decorrer do evangelho, como modelos de fé adequada ou inadequada a partir do ato de crer e assumir a fé em Cristo ou não. O Sinédrio, enquanto composto por autoridades judaicas, é apresentado, no quarto Evangelho, de modo polivalente, com confrontos e discrepâncias de ideias, de modo mais abrangente do que os Sinóticos, no qual transparece certa homogeneidade entre seus membros. O estudo da palavra “a;rcwn” e do plural “a;rcontej” permite interessante compreensão do exercício de poder segundo a perspectiva do Quarto Evangelho. Além disso, aqui se deseja evidenciar o exercício da autoridade no Quarto Evangelho a partir de alguns dos seus personagens e grupos, e como eles se relacionavam com Jesus e sua proposta. Para isto, a pesquisa apresentará breve história de alguns personagens ou grupos que interagiam na dinâmica social da Palestina do primeiro século da era cristã.



Author(s):  
Roberto Marcelo Da Silva

A pesquisa atual tem como objetivo apresentar considerações sobre o Evangelho apócrifo de Bartolomeu assim como fazer uma aproximação das temáticas apresentadas com o método espiritual de Evágrio Pôntico. Esta aproximação tem como perspectiva acentuar a luta espiritual na busca da presença de Deus. O texto apócrifo é o diálogo entre Bartolomeu e Belial/Satanás que configura a necessidade de uma prática espiritual para enfrentar poderes demoníacos. As reações de Bartolomeu perante o inimigo dos homens denotam esse processo de superação e ascese pela busca do sagrado. Num esquema de perguntas e respostas, pela iniciativa de Bartolomeu, Belial/Satanás, o inimigo dos homens, aparece revelando os mistérios de sua queda perante Deus. Verifica-se uma analogia entre o diálogo de Bartolomeu e Belial/Satanás em que pelas reações do apóstolo, ao enfrentar o inimigo dos homens, poderemos aproximar do método apresentado por Evágrio Pôntico. Evágrio apresenta um método espiritual em que pela ascese é possível atingir a contemplação. Se os demônios (logismoi) agem nas ideias e nas paixões/emoções, segundo Evágrio, vemos pelas reações de Bartolomeu o quanto este processo de superação e temperança se tornou uma característica do apóstolo para atingir a apatheia.    



Author(s):  
Jacir de Freitas Faria
Keyword(s):  

Nos relatos de fé do livro do Gênesis as genealogias têm um papel fundamental. Elas são como fios entrelaçados para nos apresentar uma historiografia patriarcal linear. Genealogias, descendências familiares, giram em torno de Abraão para unir Israel como povo, numa única fé e identidade. O primeiro relato de Gênesis, Gn 1,1—2,4a, termina afirmando que se trata da genealogia do céu e da terra. A partir do capítulo doze, Deus promete a Abraão uma grande descendência que se multiplicaria, na terra prometida, com as Suas bênçãos. O desenrolar da trama é envolvente e historiográfico. Abraão e terra são pontos de partida de uma longa caminhada de fé, escrita e interpretada muitos séculos depois dos fatos. Qual o objetivo de tantas genealogias no livro do Gênesis? Qual é o papel de Abraão na formação das genealogias? Por que ele sobressai ao patriarca Jacó que, naturalmente, seria a personagem principal, visto que é ele que dá nome ao povo? Essas e outras questões é o que propõe responder esse artigo. O caminho a ser percorrido é o da compreensão do livro do Gênesis a partir de seu conteúdo, seguido das genealogias em seus vários aspectos: na formação de povos, na criação, na inclusão de descendentes no ramo abraâmico e, por fim, ao redor de uma sepultura. Os principais autores que embasam a construção teórica são: Jean-Louis Ska, Albert de Pury e Milton Schwantes.



Author(s):  
Maria de Lourdes Corrêa Lima ◽  
Doaldo Ferreira Belem

O presente trabalho, que versa sobre o texto de 1Rs 17,7-16, tem por objetivo verificar a relação existente entre o milagre aí narrado, a palavra de Deus e a subsistência dos personagens que recebem alimento num momento de carestia. Para tanto, seguindo etapas do Método Histórico-Crítico, de início localizará a perícope em seu contexto imediato, analisará sua coerência interna e o modo como está organizada. Atenção particular exigirá ainda o estudo do gênero literário na narrativa. Enfim, deter-se-á na leitura minuciosa do relato, procurando verificar as conexões entre os três eixos acima mencionados. Conclui-se que o ponto fulcral da perícope está na afirmação do poder de YHWH sobre a natureza e a proteção que ele oferece ao seu profeta e àqueles que o acolhem. Por outro lado, o texto sublinha o tema da obediência à palavra divina. Tudo isso serve para afirmar que YHWH é vida e realiza vida dentro e fora de Israel.



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