Língua-lugar : Literatura, História, Estudos Culturais
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Published By Universite De Geneve

2673-5091

Author(s):  
Ricardo Aleixo

Escrever contra os pretensos donos da língua e do mundo: uma entrevista com Ricardo Aleixo.



Author(s):  
Patrícia Lino

Abram alas no Recital dos Sisudos



Author(s):  
Pedro Cardim

Neste ensaio é apresentada uma reflexão crítica sobre um monumento recentemente erigido em Lisboa dedicado ao jesuíta António Vieira. Na sua primeira parte argumenta-se que tal escultura pouco diz sobre a “conquista” portuguesa das terras dos povos ameríndios e a imposição de uma forma de dominação que assentou na menorização, política e jurídica, dos indígenas. Na segunda parte do artigo argumenta-se que António Vieira se identificava com esse sistema de dominação e que pouco fez para o modificar de uma forma substantiva. Tal constatação serve, acima de tudo, para situar o jesuíta nos quadros culturais e políticos do seu tempo, e não para o julgar. Na terceira parte estabelece-se uma relação entre este monumento dedicado a Vieira e a persistente visão benigna da colonização portuguesa de terras americanas, asiáticas e africanas. No final, defende-se que, na atual sociedade portuguesa, há um crescente interesse por uma compreensão mais crítica, plural e justa do passado colonial.



Author(s):  
Ana Maria Martinho

Neste artigo procuramos discutir algumas das questões que a circulação do texto literário africano impõe e permite, na contemporaneidade, sendo certo para nós que tal só pode ser concretizado quando posto em relação com a história, a cultura, as artes. O futuro da receção e estudo destas literaturas depende da mudança assumida dos lugares de escuta, de fala e de produção crítica e aí pode residir a sua importância na desconstrução de modelos convencionais de leitura, o que entendemos como fundamental. Por isso nos interessam o escopo da definição de literatura radical e correspondentes metodologias críticas subversivas. A literatura, tal como as artes e a história, pode responder no fundo a questões da natureza equivalente, nomeadamente àquelas que rompem com o cânone e que não se limitam à discussão do que mudou entre textualidades de validação colonial e as suas muitas versões pós-coloniais.



Author(s):  
Danilo Bueno

A partir da ideia de produção de uma obra integral, em que operam a coletivização de discursos, suportes e modos de fazer, busca-se enfatizar a atuação lúdica e performática de Mário Cesariny, por meio da aproximação de poema, pictopoema, fotografia, pintura e colagem.



Author(s):  
Alberto Carvalho
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A revista Claridade, de periodicidade descontínua, compreende nove números distribuídos por três ciclos, 1936-1937, 1947-1949, 1958-1960, representando na história literária cabo-verdiana o estabelecimento do período realista, sucedente ao primeiro período, romântico, iniciado na segunda metade do século XIX. Quando ao seu ideologema (na nossa interpretação: Cabo Verde cabo-verdiano) pode-se dizer, simplificando os dados, que se escande segundo aqueles três ciclos: o primeiro de afirmação identitária, o segundo de diálogo exógeno e o terceiro motivado pela reivindicação nacionalista em situação de país submetido ao regime colonial.



Author(s):  
Victoria Béguelin-Argimón

Este artigo apresenta a dívida de Bernardino de Escalante para com os textos portugueses do século XVI sobre a China, nomeadamente com os textos de João de Barros e Gaspar da Cruz. Ilustra alguns dos meios usados pelo frade Agostinho no seu Discurso de la Navegación para a reescrita das suas fontes: seleção de conteúdos, reestruturação dos mesmos e tradução de partes importantes dos textos originais. Apesar de tomar grandemente de empréstimo escritos portugueses, o Discurso apresenta também especificidades tais como a presença do autor no seu próprio texto ou a comparação das realidades do mundo chinês com as realidades do mundo castelhano, com o objetivo dar mais vida ao texto e adaptá-lo ao seu novo público-alvo.



Author(s):  
Andre Masseno

Eis aqui o terceiro número de Língua-lugar. Esta edição reitera o desejo alimentado pela equipe editorial da revista desde o princípio: o de enfatizar a importância dos estudos em português para o âmbito acadêmico suíço, por meio da publicação continuada de trabalhos que primam pela reflexão multidisciplinar e a partir de um diálogo crítico com os campos da história, da literatura e dos estudos culturais. Língua-lugar surge mais uma vez como um espaço agregador de pesquisadoras e pesquisadores oriundos de realidades, contextos e territórios distintos, mas que se convergem na consideração dos estudos em português como lócus e/ ou ponto de partida, sem com isso reduzir as tensões das trocas e das negociações, contudo frutíferas quando se trata de acolher as múltiplas perspectivas e pontos de vista. Assim, pretendemos que esta revista seja o lugar onde a língua portuguesa, de modo prolífico e plural, adquira visibilidade a partir de suas diversas matizes.



Author(s):  
Nazaré Torrão

Durante muito tempo considerou-se que o principal objetivo da história seria reconstruir o passado sem os efeitos de distorção do presente. O presente da escrita, contudo, acaba por influenciar de alguma forma o modo como se olha para os acontecimentos, para os intervenientes que se valorizam, de quem são as histórias narradas e de quem as que são deixadas na sombra. Para a reconstrução de determinado evento do passado é necessário ordenar os factos, encontrar os motivos por trás da ação e discernir os objetivos. Isso liga a ação ao contexto, aos acontecimentos anteriores e aos que daí resultarão. É preciso pois construir uma narrativa coerente. Hayden White (2010), entre outros estudiosos, como por exemplo Paul Ricoeur (1983-1985), insiste no caráter narrativo da história. Mas isso torna a história dependente, tal como outras narrativas, do narrador, do ponto de vista, do momento em que é narrada e do período de tempo escolhido. Ou seja, o presente da escrita influi na perspetiva que se adota e permite muitas vezes uma releitura crítica não só dos factos passados, como também do modo como nos foram narrados.



Author(s):  
Maria Inácia Rezola

As eleições para a Assembleia Constituinte (25 de Abril de 1975) são um marco central na história da construção da democracia em Portugal. Celebradas exactamente um ano após o derrube da ditadura e da restauração das liberdades fundamentais, num momento em que a Revolução acelerava o seu passo, estas eleições contaram com uma amplíssima participação (votaram 91% dos recenseados) que deixou patente a importância que lhes era conferida enquanto fonte de legitimação do poder. O ambiente que rodeou a abertura da Constituinte foi tenso. Contestada pelos sectores radicais, que nela viam um símbolo da democracia burguesa, a sua actividade foi ameaçada desde os primeiros momentos. Paralelamente, outros factores condicionaram a sua capacidade de intervenção. Recorde-se, a este respeito, que a Plataforma de Acordo Constitucional (“Pacto MFA-Partidos”), firmada entre o MFA e os partidos políticos a 11 de Abril de 1975, não apenas determinava alguns dos princípios que deveriam ser consagrados no futuro texto constitucional, como dava ao poder militar as garantias de que, independentemente do resultado das eleições, a condução da vida política era da responsabilidade do Conselho da Revolução. À Assembleia Constituinte era reservada apenas a missão de elaborar o texto constitucional. Com este artigo propomo-nos analisar os debates ocorridos no período antes da ordem do dia, no decurso do Verão Quente de 1975, para aferir em que medida os temas da actualidade política integraram e condicionaram a agenda de trabalho parlamentar. Partindo da tese de que a Constituinte foi palco de intensas disputas, reflexo da luta mais ampla que percorria o país, propomo-nos dar voz aos constituintes e percepcionar o seu envolvimento na crise político-militar então vivida.



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