Terra Roxa e Outras Terras Revista de Estudos Literários
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Published By Universidade Estadual De Londrina

1678-2054

Author(s):  
George Lima ◽  
Marisa Martins Gama-Khalil

No presente ensaio, é realizada a análise do conto “O afogado mais bonito do mundo”, escrito por Gabriel García Márquez (2014), considerando o discurso “essencial” que materializa a solidão na narrativa. No reencontro intermitente que constitui o discurso essencial, conforme pautado por Blanchot, serão observados os modos pelos quais o afogado dá a ver a solidão em dois níveis, compreendendo que esse movimento destitui o afogado de ser e revela uma espécie de imagem sobre ele que o aparta de tudo que se aproxima dele: a solidão no mundo e a solidão essencial. O corpo do afogado, que se esquiva de uma representação, coaduna-se à imagem da própria escrita do conto e descortina uma imagem difusa e complexa da presença/ausência, da visibilidade/invisibilidade, imagem essa que se espalha pela tessitura de linguagem que a narrativa apresenta. Essa leitura toma por base principal postulados de Maurice Blanchot (2011; 2010; 2005) sobre a literatura.



Author(s):  
Ricardo Augusto de Lima ◽  
Willian André

Apresentação do volume 39.



Author(s):  
Rafael Magno de Paula Costa
Keyword(s):  

O presente artigo propõe uma leitura e análise do conto “Uma estrangeira de nossa rua”, de Milton Hatoum (2010), discutindo uma proposta de sentido para o amor como ausência. Para tanto, partimos de conceitos de pensadores contemporâneos, como Zygmunt Bauman (2004) e Pascal Bruckner (2014), que defendem a tese da morte do amor verificada por meio da sua fácil realização. O personagem analisado em questão evidencia uma paixão obsessiva, entretanto, sua falta de experiência impede que ele vá ao encontro do objeto de seu amor. Desse modo, a ausência de experiência, bem como a consequente ausência do amor, no caso do conto, ocasiona um efeito contrário de “morte do amor”, uma vez que pela não sua não realização a paixão permanece viva na mente do personagem. Esse amor vivo se explica, de acordo com a psicóloga Nadiá Paulo Ferreira (2004), como um sentimento de frustração amorosa.



Author(s):  
Daniela Maria Segabinazi ◽  
Jaine Sousa Barbosa

A morte está presente nos textos literários destinados ao público infantil, e, embora a temática ainda seja considerada tabu para muitos, o número de obras que a utilizam como eixo central da narrativa vem crescendo ao longo dos anos, bem como cresce o número de obras ilustradas, sendo muitas delas compostas apenas por imagens. Nas páginas dos livros, a morte assume várias facetas, e na literatura para crianças isso não é diferente. Nessa relação entre texto e imagem que esse trabalho surgiu. Assim, analisamos como as ilustrações contribuem para a construção da representação da morte na obra Harvey, como me tornei invisível, de Hervé Bouchard e Janice Nadeau (2012), enfatizando não apenas a própria representação da morte criada a partir da narrativa, mas, especialmente, como as imagens atuam tanto na construção dos significados dos textos quantos nos desdobramentos de seus sentidos. Como aporte teórico, visitamos obras de autores consagrados tanto no âmbito da literatura infantil, quanto da temática da morte e da ilustração. Desses nomes, listamos Oliveira (2008), Abramovich (2008), Ramos e Nunes (2013), Paiva (2011), Lotterman (2009) e Aguiar (2010).



Author(s):  
Alexandre Henrique Silveira ◽  
Bernardo Nascimento de Amorim

O artigo pretende pensar a perda como componente central da autobiografia Baratas, de Scholastique Mukasonga, considerando a história de Ruanda, marcada pela colonização, e a busca por uma memória ruandesa. Segundo Richard Oko Ajah (2015), as obras da escritora que tematizam o conflito étnico em Ruanda são narrativas de memória e trauma, as quais denunciam as condições que culminaram em um trauma estrutural, sofrido pelos tutsis ao longo de décadas de violência e segregação, até o genocídio de 1994. A perda e a ausência dos seus, assombrando a autora, narradora e personagem sobrevivente do massacre, fazem com que tome para si a tarefa de guardiã da memória de seu povo. Cogita-se que a experiência traumática, a caracterizar o teor testemunhal de Baratas, leva a escritora a buscar, através da rememoração (Gagnebin 2006), uma forma de agir no presente para lutar contra o esquecimento e a repetição dos horrores do passado, humanizando-se através da arte.



Author(s):  
Carmina Monteiro Ribeiro ◽  
Milena Ribeiro Martins

Geralmente considerados tabus por pais, educadores e mediadores de leitura, os temas morte e luto não são evitados pela produção literária recente. Camuflar conversas e produções artísticas que lidem com a finitude da vida pode prejudicar o processo de simbolização necessário à formação da identidade da criança e do jovem, à sua compreensão da finitude da vida e, assim, à sua valorização. Este ensaio visita o romance Corda Bamba, de Lygia Bojunga, especialmente o processo de luto, amadurecimento e descoberta da protagonista. Após ter perdido os pais em um trágico acidente circense, a menina de 10 anos de idade perdeu também todas as suas memórias. Durante sua trajetória metafórica por portas coloridas em um longo corredor, ela revive histórias que ouviu sobre seus pais e momentos que passou com eles. Por meio desses passeios, consegue elaborar sua perda e ressignificar sua existência, criando novas conexões com suas lembranças, seus entes perdidos e passando a lidar melhor com sua nova situação. A análise foi feita com base em estudos sobre a morte e o luto, teoria e crítica de literatura infantil e juvenil e análises literárias da produção de Lygia Bojunga.



Author(s):  
Vanessa Massoni da Rocha

Este artigo analisa perdas e silêncios na literatura contemporânea a partir da perspectiva Haiti-Brasil. Apesar de compartilharem histórias similares ligadas ao imperialismo europeu, à colonização, à diáspora africana, à escravização, à exploração de riquezas naturais como o açúcar e às insurgências independentistas, a ilha caribenha do Haiti e o Brasil parecem pouco se conhecer. A circulação de bens culturais se faz diminuta e, à primeira vista, se mostra associada a visões negativas. Visto pelo Haiti, o Brasil se limita ao futebol e à violência do exército nacional em missões ligadas à ONU. Visto pelo Brasil, o Haiti se resume aos imigrantes precarizados, à canção estigmatizante de Caetano Veloso e ao imaginário de subdesenvolvimento e pobreza crônica. Propomos uma trajetória sobre estes imaginários cruzados e nos atemos ao caminho da tradução de obras literárias haitianas no Brasil. A publicação em 2020 da obra bilíngue Estilhaços – antologia de poesia haitiana contemporânea pode ser interpretada como novo capítulo desta história repleta de lacunas e mal-entendidos. Ausência sentida no imaginário cultural brasileiro, o Haiti tem a chance de ser ressignificado através da antologia recém-lançada, na qual emerge uma potência literária em espelhamento com o Brasil.



Author(s):  
Nelson Eliezer Ferreira Júnior

O artigo propõe uma leitura do romance Barba ensopada de sangue (2012), de Daniel Galera, que parte de sua relação com a tradição realista, que repercute na literatura brasileira contemporânea, para a investigação das marcas do realismo traumático na obra, especialmente as repetições que são estabelecidas entre o protagonista e seu avô. Para tal, foram retomadas reflexões, especialmente de Schøllhammer (2013) sobre as marcas do realismo na prosa brasileira, de Ginzburg (2002) sobre a repercussão da estética do trauma no Brasil e de Foster (2017 e 2020) sobre o realismo traumático como categoria importante para a compreensão das artes na atualidade. Percebe-se na obra a centralidade do tema da perda, posto como trauma simultaneamente repetido e deslocado, e sua relação com um padrão de masculinidade que insiste em ressurgir. Destaca-se também a importância da cadela Beta na narrativa como figura simbólica que tensiona o paralelismo de modo a evitar que o padrão de repetição se torne simples cópia.



Author(s):  
Roseane Oliveira de Araújo Félix ◽  
João Batista Cardoso

Este estudo teve como objetivo investigar as relações entre o sujeito migrante e os espaços de sua travessia, bem como a postura deste sujeito diante do desconhecido. Para tanto, utilizamos como corpus de análise os capítulos intitulados: “Essa terra me chama” e “Essa terra me enxota” do romance Essa Terra (1976), de Antônio Torres. O objetivo é refletir sobre um momento histórico em que a falta de perspectiva e a ameaça à sobrevivência no meio rural fizeram aumentar a migração para as cidades. Como suporte histórico-crítico nos embasamos nas contribuições e reflexões de Borges Filho (2005), Bhabha (1998), Bezerra Júnior (2014), García Canclini (2008), entre outros.



Author(s):  
Everton Barbosa Correia

Falecido em 1978, Joaquim Cardozo coloca um limite na obra poética de João Cabral de Melo Neto, tanto pelo que ilumina retrospectivamente da interlocução dos dois autores quanto pelo que se projeta na poesia de seu amigo e leitor primaz. Muito embora seja possível rastrear composições de um devotadas ao outro desde O engenheiro (1945), à medida que o poeta mais velho convalesce se faz mais presente nos livros Museu de tudo (1975) e notadamente em A escola das facas (1980), onde constam três composições escritas e publicadas à guisa de epitáfios, cuja repercussão ressoa com grande força aquela ausência no contexto cultural brasileiro. Entre as quais, a composição “Na morte de Joaquim Cardozo” ilustra o ressentimento do poeta pernambucano, menos pela perda afetiva do que pela contribuição que devia ter se consumado como uma referência literária e não vingou. Analisando o percurso sonoro do poema em foco, diante de outros poemas coligidos no mesmo volume, intenta-se demonstrar o apuro formal herdado do outro autor, bem como o seu registro inscrito no som, circunstanciadamente.



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