Revista Visuais
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Published By Universidade Estadual De Campinas

2447-1313

2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 108-123
Author(s):  
Luiz Sérgio da Cruz Oliveira

Ao revelar uma atenção renovada para as questões políticas e sociais, as práticas artísticas contemporâneas têm transformado a natureza da arte. Essa virada social, por sua vez, tem desencadeado o deslocamento do artista do lugar tradicionalmente a ele reservado na sociedade, um lugar que o mantinha atado às margens do tecido social, obrigando-o assim a enfrentar o processo de reinvenção de si à luz dessas mudanças nas relações entre arte e sociedade. Neste artigo procuramos refletir sobre as andanças desse artista pelo mundo, além de suas articulações, plenas de fricções, com as complexidades e instâncias do sistema de arte, em especial com o museu de arte.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 9-31
Author(s):  
Cristian Borges

Ao traçar um breve panorama da representação do movimento, da arte parietal pré-histórica, passando pelo Renascimento e pelas vanguardas artísticas do início do século XX, até chegar à era das imagens digitais, percebemos como a figura humana passa a exercer um papel cada vez mais central nesse tipo de representação dinâmica. A partir das noções de “cinesfera” (Rudolf Laban) e “egosfera” (Oskar Schlemmer), identificamos nesse percurso um duplo estatuto do corpo: ora funcionando como ponto de ancoragem da arquitetura espacial, ora como ponto cego de um olhar móvel e maquínico que remete ao “cine-olho” vertoviano.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 1-8
Author(s):  
Gilberto Alexandre Sobrinho
Keyword(s):  

Na fábula utópica Space is the place (John Coney, 1974, EUA) Sun Ra e sua banda Arkestra realizam uma viagem intergaláctica, aportam na Terra, especificamente em Chicago e Oakland (Estados Unidos) e começam seu périplo de recrutamento de pessoas negras para um deslocamento físico e simbólico, com o objetivo de habitar outros territórios. Rodado e lançado no começo dos anos 1970, o filme teve pouca repercussão na época. Posteriormente, com o VHS e DVD, o filme tornou-se cult, passou a ser celebrado entre cinéfilos e críticos e tornou-se um dos ícones do afrofuturismo, termo cunhado por Mark Dery, nos anos 1990, “para tratar das criações artísticas que, por meio da ficção científica, inventam outros futuros para as populações negras atuais”. Retomo esse filme por sua constituição espaço-temporal e seus modos particulares de figuração, que chamam a atenção para articulações sonoro-topológico-mentais que resultam mais que liberdades formais, em modos de apreensão e constituição da imagem e do som, articulando percepções e sensações, em torno da construção dos sentidos do filme.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 137-154
Author(s):  
Jorge Rodrigues Batista
Keyword(s):  

O presente artigo pretende contribuir para o conhecimento da influência exercida pela trilogia: paisagem-imagem – Grand Tour – literatura de viagens, na criação e divulgação da imagem de Sintra. A articulação destes três fatores e a esfera de influência de cada um deles transforma Sintra num lugar privilegiado aos olhos do espetador-contemplador.A crescente divulgação de Sintra, sobretudo na literatura de viagens, teve como principal consequência um aumento de viajantes, que hoje denominaríamos turistas. Os ingleses contam-se em maior número, uma vez que o Grand Tour, enquanto fenómeno que motivou jovens aristocratas a percorrer toda a Europa, teve início em Inglaterra. Porém, à medida que avança a centúria oitocentista há uma diversificação das nacionalidades dos turistas que visitam Sintra e que produzem literatura sobre o local. Paralelamente, o Grand Tour e a literatura de viagens potenciaram uma intervenção na paisagem cenográfica de Sintra, que passou, sobretudo, pela construção, recuperação e valorização do património cultural e natural existentes, incluindo palácios, parques e jardins, operando uma reconfiguração visual do real, muitas vezes imprimindo a determinadas estruturas um aspeto de abandono, decadentista, selvagem e até de ruína que pretende, objetivamente, adequar as características do lugar ao espírito estético do movimento romântico.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 72-90
Author(s):  
Gabriela Machado Ramos de Almeida
Keyword(s):  

Esse artigo apresenta uma análise do filme As filhas do fogo, da argentina Albertina Carri (2019), reivindicado pela cineasta como pornô feminista. Vemos, no longa de ficção, um grupo de mulheres que viaja pela Patagônia argentina em uma vivência lésbica orgiástica. Com inspiração nas teorias queer, nos estudos sobre sensorialidade no cinema e sobre pornografia, além da noção de prática reparadora em Eve Sedgwick (2020), o trabalho busca identificar os modos como a obra provoca deslocamentos nas figurações do desejo feminino, produzindo uma política da imagem em diálogo com o que Paul B. Preciado (2007, 2018) chama de feminismo lúdico, que encontra no audiovisual, na literatura ou na performance seus espaços de ação e que seria capaz de operar como mecanismo de resistência às normatividades sexuais.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 91-107
Author(s):  
Sara Brandellero

Este artigo discute o filme Breve miragem de sol (Rocha, 2019) dentro do emergente campo teórico dos ‘estudos da noite’ (Kyba et al 2020), campo transdiciplinar voltado para aspectos da experiência humana muitas vezes negligenciados pela atenção preponderantemente dirigida à existência diurna. O ponto de partida é o conceito da noite como ‘fronteira’ (Melbin, 1978), que problematiza a comercialização e colonização do tempo-espaço da noite, e o conceito de espectralidade no contexto do cotidiano (Blanco & Peeren, 2010), para discutir a representação de Paulo (Fabrício Boliveira), taxista noturno que, enquanto a cidade ‘dorme’, nos desvenda o lado invisível da cidade 24-horas.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 51-71
Author(s):  
Ramayana Lira de Sousa ◽  
Alessandra Soares Brandão

Esse artigo propõe uma chave de leitura queer para uma produção de curtas-metragens brasileiros recente em que reconhecemos uma reconfiguração dos espaços para o acolhimentos das corpas LGBTQIA+, um trabalho de reimaginação das relações e do mundo, que nos leva ao complexo conceito da enqueerzilhada, um espaço sobredeterminado que reimagina processos de exclusão/inclusão ao mesmo tempo em que torna visíveis formas de vida em trânsito. Apontamos, ainda, que essas construções também implicam uma rearticulação da voz e do corpo no que Maria Galindo chama de alianças insólitas. Concluimos com uma possibilidade de entender essa produção recente como pensamento sobre o mundo que produz uma fértil pedagogia queer. 



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 124-136
Author(s):  
Jorge Abade

A verdade visual, através do ver, está intimamente ligada ao desenho, especialmente pelo desígnio, que se apresenta de forma proposicional. O desenho, imanente à origem e âmago das artes visuais, não se esgota na função literal de designar, a sua atuação tem uma absoluta transversalidade formadora. A sua ação, que procede de um olhar concentrado, indica e indicia, também mostra e caracteriza, mas sobretudo cria potencial in-visual – aí percorre o seu caminho para a sua transcendência, aporta consigo seu especular e a sua sombra, o seu contido espectral. O desígnio, que se articula num exercício especulativo, na sua faceta de aparição, determina cargas de qualidades imiscuídas nos assuntos, tanto do conteúdo como da forma. Veicula ainda o ser-em-si do desenho, na sua autorreflexividade, que é a dimensão identitária e autónoma da sua concentração, na sua in-visualidade; este fator é inteiramente participativo numa subjacência sombria, no ganho do seu potencial de transcendência. Atinge-se o apogeu do hieratismo artístico quando essa transcendência se articula numa alteridade em duas vias, entre desenho e fruidor. Este caminho do desenho é um caminho para a sua verdade, onde está a sua sombra própria, interna, o que confirma a sua autonomia e também a sua existência como arte, mas essa sombra é também o que provém de ausências e descai para a ausência, a caminho da morte.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 32-50
Author(s):  
Erly Milton Vieira Junior

A partir dos estudos centrados na sensorialidade dos meios audiovisuais, investigaremos alguns modos de engajamento corpóreos contemporâneos – estratégias estéticas e narrativas que buscam convocar e entrelaçar três categorias de corpos: os filmados, os espectatoriais e o próprio corpo do filme. Três são os modos de engajamento aqui abordados: a visualidade/escuta háptica, pautada pela tatilidade e pela ativação de memórias sensórias; a ressonância carnal, que envolve aspectos rítmicos e coreográficos das imagens e sons; e a câmera-corpo, aqui concebida como um conjunto de estratégias produção de intimidade que instauram uma relação proprioceptiva/ encarnada entre espectador e filme.



2021 ◽  
Vol 7 (2) ◽  
pp. 155-172
Author(s):  
Luciano Vinhosa Simão

No presente artigo, apresento as linhas gerais de uma pesquisa inicial cujo interesse está orientado para as teorias, levando em consideração às modulações de uso que as diferentes culturas dão à imagem em face da ressurgência desta na arte metropolitana, campo tradicional das representações eurocêntricas, hoje em disputa com as culturas periféricas, em especial, o caso brasileiro. Diante da transculturalização que esse processo promove, e para fins conceituais e metodológicos, iremos considerar três modalidades de agências cruzadas que nos servirão de recorte aos estudos que pretendemos realizar em relação às imagens da arte: 1) agência transcendente; 2) agência afeccional; 3) agência metamórfica.



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