Revista Nava
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Published By Universidade Federal De Juiz De Fora

2525-7757

Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Cacilda Reis

Diversos são os motivos da migração (pessoais, familiares, sociais, econômicos e políticos) e os fatores que acabam interferindo nesse processo são os mais variados. Desse modo, este artigo tem como objetivo refletir sobre a trajetória de dançarinas afro-brasileiras na França, observando como se deram esses fluxos migratórios e a vivência dessa experiência. Busca-se explicitar nesse contexto como se manifesta a intersecção das relações de gênero, raça e classe. Da mesma maneira, procura-se conhecer quais as singularidades do campo artístico e de que forma essas profissionais se inscrevem no mercado de trabalho no referido país. Metodologicamente, o estudo baseia-se em uma pesquisa de abordagem qualitativa, sendo os dados obtidos por meio da etnografia, mediante observação participante e entrevista. Em se tratando das dançarinas brasileiras, oriundas de Salvador, Bahia, o processo migratório, analisado a partir das redes de interações e interdependências, tanto no país de origem quanto no de destino, foi acionado como estratégia para romper com o círculo de pobreza. Além disso, essas mulheres almejavam ascensão social e o reconhecimento social e profissional. As narrativas demonstraram que a concretização dos sonhos, alimentados pelo processo migratório, foi alcançada por algumas das dançarinas baianas e, no caso de outras, não ocorreu na dimensão que almejavam. Constatou-se ainda que as configurações do mercado de trabalho para estas profissionais que desejam sobreviver da arte são distintas no Brasil e na França, em decorrência de questões sociais, culturais, econômicas e de políticas públicas que marcam profundamente os dois países pesquisados.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Paula Guerra
Keyword(s):  

Este artigo trata da história de vida de uma música – a brasileira Flávia Couri – e, em particular, a sua experiência de emigração e como relaciona música, a globalização do punk e as cenas musicais locais e translocais. Reconhecemos a importância destas dinâmicas analisando uma entrevista com esta mulher música, concentrando-nos no seu discurso acerca do seu próprio trajeto e as circunstâncias da sua emigração. A discussão acerca da emigração desta mulher contempla os seguintes pontos-chave: as causas e razões da emigração; a vida num novo local; desafios, sucessos e reconstrução identitária do emigrante; e um possível retorno à ‘tribo’ do país de origem. A análise do discurso usada atenta ao contexto desse mesmo discurso, ou seja, as suas condições de produção e receção. Através desta análise fomos capazes de seguir, explicar e compreender a trajetória de emigração desta mulher e como esse trajeto foi sempre acompanhado por uma banda sonora da qual ela foi compositora e ouvinte, tentando mostrar as possibilidades que a música oferece na construção e reconstrução identitária, bem como a sua capacidade de providenciar razões e contextos para uma migração.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Juliane Peixoto Medeiros

As produções imagéticas presentes no Projeto Vidas paralelas Migrantes representam experiências poéticas vivenciadas suas potências de partilha, possíveis trilhas a uma emancipação estética, política e de resistência da memória e do pensamento. Este breve artigo propõe um diálogo entre as composições, as junções de pistas, as interrupções de fluxos que constituem as imagens produzidas no projeto, na busca por um pensamento transmetodológico de experiências partilhadas.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Laura López Casado

No presente artigo vou refletir sobre fanzines e migração, considerando os fanzines como objetos artísticos e espaços onde desenvolvem-se discursos e representações que encontram-se no borde, na fronteira, no margem, tal e como a materialidade do objeto se apresenta. As ferramentas epistemológicas desenvolvidas ao redor da fronteira (ANZALDÚA, 1987; LICONA, 2012) e o lugar desde se constrói conhecimento (FUSS, 1989; HARAWAY, 191, HARDING, 1986; RIBEIRO, 2017) será atravessado pelas lógicas da circulação e criação de fanzines. Os fanzines que aparecem neste artigo têm dois denominadores comuns: o país de Portugal é ou bem o lugar de recepção de narrativas fronteiriças ou bem o lugar de surgimento das mesmas, e a outra característica em comum é que os fanzines desafiarão as representações do sexo, género e sexualidade. Isto também colocará os estudos de género como ponto de apoio de tudo o artigo.    



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Rachel Pereira da Silva Souza
Keyword(s):  

Pintando as histórias da Moçambique pós-colonial, Cassi Namoda, uma jovem artista de Moçambique, que mora entre Los Angeles e Nova York, faz uma reflexão sobre as relações estabelecidas em seu país de origem. Em suas obras vemos retratadas principalmente mulheres em suas complexidades. Assim, este ensaio pretende uma breve exposição e leitura sociológica acerca de seus trabalhos enquanto artista imigrante em ascensão.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Paula Guerra ◽  
Maria da Graça Luderitz Hoefel ◽  
Sofia Sousa ◽  
Denise Osório Severo

Este trabalho constitui um recorte de uma investigação mais ampla que discute o ativismo estético-político e o papel da música nas formas de expressão das lutas pela igualdade. Nesse sentido, no âmbito deste artigo discute-se as relações entre a música e o ativismo estético-politico, a partir de um olhar sobre percursos singulares de duas mulheres músicas ativistas. Assim, busca-se compreender a natureza dos processos, os significados e as representações existentes nos caminhos percorridos, a fim de refletir em que medida a música influencia os processos de emancipação social e sobre quais as configurações de ativismo estético-político são permeadas por processos identitários diversos. Trata-se de um estudo de caso, com uma abordagem qualitativa, baseado nas experiências de duas mulheres artistas brasileiras, a partir da perspetiva teórico-metodológica de histórias de vida. Os resultados mostram-nos que o percurso das entrevistadas tem sido pautado por diversas formas e dinâmicas de subversão e de resistência, que se inscrevem dentro de um contexto desigualitário do Sul Global, onde tendem a prevalecer as desigualdades e as dominações estruturais da masculinidade e do patriarcado.  



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Maria Ondina Pires
Keyword(s):  

O objetivo deste ensaio é promover a reflexão sobre as condições de vida dos afro-americanos, em particular das mulheres que têm sido as principais vítimas de racismo, exploração, segregação e violência nos Estados Unidos da América, com especial incidência nos estados do Sul. O corpus que propícia essa reflexão é a expressão plástica da artista afro-americana Kara Walker. As suas poderosas imagens, através das assemblages, instalações e silhuetas monocromáticas, narram a história da migração forçada de milhões de africanos transportados nas mais indignas e horríficas condições de sobrevivência em barcos negreiros rumo às Américas, narram ainda os horrores da escravatura e o dia-a-dia das escravas negras nas plantações dos estados sulistas, a Guerra da Secessão, e o quotidiano difícil dos cidadãos afro-americanos desde a abolição da escravatura até ao tempo presente.  Igualmente relevante é a análise do sentimento de alienação perante “Si mesma” e os “Outros”, como cidadã norte-americana e artista, o que faz de Kara Walker uma “migrante no seu país”. São também descritos vários estereótipos relacionados com os atributos físicos de indivíduos negros e brancos nas obras de Walker, dentro do fenómeno da Alteridade, que funcionam como metonímias identificadoras de raça e género. A identificação literal e simbólica de cada personagem recortada em silhueta é fundamental para a compreensão da sua obra interpretativa da história dos EUA, daí a utilização de estereótipos provenientes da cultura popular de entretenimento como o cinema, a caricatura, as anedotas, entre outros.  



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Andréia Paulina Costa Costa

Esse artigo propõe pensar as poéticas das artistas Mira Schendel, Anna Maria Maiolino e Liliana Porter, em relação as dinâmicas de deslocamento migratório, exílio e refúgio e o impacto dessas questões em suas obras.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Lindomberto Ferreira Alves

O presente artigo apresenta uma cartografia provisória ao percurso artístico trilhado pela artista multimídia contemporânea Rubiane Maia (Caratinga/MG, 1979), entre os anos de 2006 e 2016. Recorte temporal que demarca os primeiros dez anos de carreira desta que é um dos nomes relevantes da geração de performers, brasileiros e estrangeiros, à qual pertence, bem como um dos nomes centrais da produção contemporânea em Artes Visuais no Estado do Espírito Santo surgidos no começo do século XXI e, até o momento, um dos que conseguiu maior inserção no cenário artístico nacional e internacional. Tendo em vista a escassez de publicações da área que ascendam o interesse na pesquisa teórica e no exercício crítico sobre a produção artística de Rubiane Maia, busca-se com este artigo corroborar no processo de apresentação e de descoberta de sua obra. Visa-se, portanto, colocar em circulação o conjunto da obra de Rubiane produzido nos agenciamentos migratórios tensionados a partir dos percursos artísticos empreendidos nos primeiros dez anos de sua carreira, não somente dando visibilidade a sua produção, mas, também, introduzindo a importância e a potência desses trabalhos – contribuindo tanto para a difusão da arte produzida por esta artista, aqui e no mundo, em especial no campo da performance e do vídeo, quanto para a inserção do seu projeto poético no radar da crítica de arte contemporânea.



Revista Nava ◽  
2021 ◽  
Vol 6 (1 e 2) ◽  
Author(s):  
Paula Guerra ◽  
Sofia Sousa ◽  
João Carlos Lima

Este artigo constitui uma breve reflexão acerca da relação entre música e as representações identitárias de mulheres romenas imigrantes em Portugal, nomeadamente na Área Metropolitana do Porto (Porto, Maia, Valongo, Póvoa de Varzim e Vila Nova de Gaia). Partindo do pressuposto de que a música é uma forte componente do dia-a-dia destas mulheres, destacamos a sua relevância como um meio de resistência, de afirmação e de sobrevivência na sua viagem e acolhimento em Portugal. Além disso, baseando-nos na aplicação de uma metodologia qualitativa, assente na realização de 20 histórias de vida a mulheres romenas imigradas em Portugal, concluímos que existe um gap entre aquela que é a cultura de origem e a cultura do país de acolhimento: no sentido em que não é enfatizado o multiculturalismo e a partilha de gostos, de estéticas e de memórias do contexto de origem. Aliás, tal aspeto é tanto mais premente quando pensámos na forte estigmatização e discriminação de que estas mulheres são alvo diariamente numa lógica de violência simbólica – e por vezes, física. Mais ainda, a música tende a ser o meio que as une à sua cultura, às suas memórias, às suas tradições familiares e vicinais, assumindo-se como um poderoso veículo de reconstrução identitária na ultrapassagem das dificuldades quotidianas.



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