Revista de Ciências Sociais
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Published By Portal De Periodicos Da UFC

2318-4620, 0041-8862

2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 15-25
Author(s):  
Cristina Maria Da Silva ◽  
Terezinha Taborda

A presente proposta visa reunir trabalhos em torno da temática Memórias de Guerra em Experiências Literárias Africanas e de como a escrita tem elaborado traumas coletivos. Evocando noções como narrativa, trajetórias e memória, pensamos que é possível observar como os processos de recordação e elaboração têm se construído através da escrita literária. O que essas narrativas mobilizam de suas paisagens coletivas? como narram os enfrentamentos e as consequências da guerra civil? como se esboçam nessas narrativas as trajetórias desses escritores, de seus países e de seus repertórios culturais? Enfim, como são mobilizados em suas escritas as recordações. Que espaços da recordação são mobilizados na montagem de suas escrituras?  A memória do trauma é uma forma de recuperar na fragilidade dos rastros individuais a compreensão para a história e para as condições socioantropológicas de cada sociedade. Propomos reunir, neste Dossiê, reflexões que ponham em diálogo preocupações do campo das ciências humanas, sociais e literárias que nos permitam refletir sobre essas experiências nas literaturas africanas.  



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 27-46
Author(s):  
Gustavo De Azevedo porto ◽  
Adeir Ferreira Alves

Este artigo traz uma reflexão sobre a poesia do escritor moçambicano José Craveirinha, na obra Babalaze das hienas (2008). Nessa reflexão analisamos o lugar da oralidade e da africanidade na poesia de Craveirinha, que evoca a memória coletiva do seu país, duramente afetado pela guerra civil. O sentimento nacional e o africanismo evocados na poética de Craveirinha não apenas expõem as dores e os horrores que assolaram o seu povo, mas também apontam caminhos de emancipação identitária, política e cultural das opressões colonialistas. Por estas razões é que a escrita de Craveirinha é, em certa medida, um tratamento africano para preservação de sua cultura. Para tal análise será considerado o poder da oralidade africana na construção deste processo catártico, uma vez que o poeta tem como fonte de inspiração para sua escrita as memórias e as vozes da população atingida pela guerra.



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 179-201
Author(s):  
Junia Saraiva Saraiva
Keyword(s):  

O presente artigo se propõe a analisar a escrita literária das obras Meio Sol Amarelo (2008) de Chimamanda Ngozi Adichie e Baratas (2018) de Sholastique Mukasonga, considerando que as obras fornecem o espaço terapêutico necessário para que os traumas provenientes de guerras e genocídios em seus países possam ser elaborados. Dessa forma, a escrita das autoras, além de resgatar a história perdida de Ruanda e da Nigéria, permitem a elaboração necessária para que as sociedades que foram construídas em um sistema baseado na violência possam superar a repetição de atos violentos, conforme aponta Sigmund Freud em sua obra Recordar, repetir e elaborar (1914/1911-1913). Além disso, consideramos que a escrita das autoras, retratam as vozes dos que foram duplamente silenciados, no que diz respeito ao silêncio imposto para seu gênero e para sua etnia, o que confere as obras uma dupla potência e significação.



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 109-138
Author(s):  
Isabella Alves Lamas ◽  
Natália Bueno

Em 4 de outubro de 1992, foi assinado o Acordo Geral de Paz (AGP) que pôs fim ao conflito armado que assolou Moçambique por dezesseis anos. Apesar de este dia ser celebrado como o dia da Paz e da Reconciliação e oficialmente marcar o fim da guerra entre a Frelimo e a Renamo (1976-1992), este também pode ser visto, de uma forma mais ampla, como o fim de uma era de violência direta e de conflito armado que começou com a Luta de Libertação Nacional (1964-1974) contra o colonialismo português. Em seu romance Terra Sonâmbula, Mia Couto entrelaça duas histórias diferentes, misturando o presente e o passado, com o intuito de denunciar a destruição causada por “uma guerra que parece não ter fim”. Argumentamos que essa ideia de continuidade da guerra em Moçambique se expressa em três dimensões: através das ligações entre a guerra colonial-libertação e a guerra civil, por meio das memórias daquelas pessoas que a vivenciaram de forma direta ou indireta, e da memória coletiva de forma mais geral e, por fim, através da permanência de relações de colonialidade na sociedade moçambicana contemporânea. Com base na obra de Mia Couto e recurso às gramáticas do Pós-colonialismo, dos Estudos para a Paz e dos Estudos da Memória, este artigo reflete sobre a continuidade da guerra no país e como esse passado ainda se faz tão presente através das narrativas de memórias acerca do mesmo.



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 47-81
Author(s):  
Maria Genailze Chaves ◽  
Dr. Francisco Pereira Smith Júnior Pereira Smith Júnior ◽  
Drª. Ana Lilia Carvalho Rocha

A partir do método da literatura comparada este artigo analisa o O fato completo de Lucas Matesso (1997) de Luandino Vieira e as torturas que nele estão descritas. Nesse viés, o objetivo do trabalho está em refletir as experiências de traumas depositadas ao corpo após o processo de tortura, concomitante a isso refletir as violências acometidas contra o personagem Lucas Matesso diante dessa obra de teor testemunhal. Portanto, a manifestação literária representada pelos contos, no contexto contemporâneo da literatura brasileira e angolana, permite perceber a violência ditatorial e a resistência por parte dos encarcerados, na qual mostra a atrocidade e a brutalidade sofrida por eles, apresentando um cenário real vivenciado por países que até os dias atuais resistem as repressões ditatoriais.



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 163-178
Author(s):  
Marilane De Almeida Silva Casorla
Keyword(s):  

Este trabalho discute como as narrativas em abismo são construídas nas obras Terra sonâmbula, de Mia Couto, e Meio sol amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie e como os personagens dessas narrativas descrevem suas experiências em tempos de guerra. Especialmente sob a perspectiva dos estudos de Jeanne Marie Gagnebin (2009) acerca da escrita como manutenção de lembrança para as futuras gerações, verifica-se que tais personagens elegem a escrita como forma de elaboração do passado e para organizar sua memória. São, portanto, personagens-autores que, no seu fazer literário, dão voz aos vivos e mortos das guerras, apagando sua própria voz.



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 83-107
Author(s):  
Mateus Pedro Pimpão António

Nosso estudo está baseado em duas obras, nomeadamente: Diário de um exílio sem regresso (2003) e Cartas de Langidila e outros documentos (2004), ambas da ex-guerrilheira angolana Deolinda Rodrigues (1939 – 1967). Refletindo, num sentido amplo, sobre as memórias da guerra colonial, pretendemos analisar especificamente sobre como a escrita de Deolinda Rodrigues faz emergir os (res)sentimentos e a revolta dos angolanos contra o sistema colonial português no início da primeira metade do século XX. 



2021 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 139-162
Author(s):  
Claudia Letícia Moraes

A presente investigação visa empreender uma leitura do romance Antes de Nascer o Mundo (2009), do moçambicano Mia Couto, considerando alguns eixos norteadores das representações feitas pelo autor. Assim, por se tratar de uma narrativa que está centrada na vida de personagens que estão escondidos no interior da savana africana a fim de fugir das agruras da guerra, a análise que ora propomos pretende considerar de que maneira a narrativa intenta elaborar e superar determinados traumas causados pela guerra civil moçambicana do pós-independência. Para tanto, serão utilizados como escopo teórico autores como Nazir Can (2020), Elena Brugioni (2019, 2012) e Jane Tutikian (2006) para compreender os mecanismos utilizados pelo autor na intenção de retratar traumas de guerra, esfacelamentos familiares e a própria linguagem elaborada por Couto na representação de uma Moçambique tomada de assalto por conflitos internos.  



2020 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 429-438
Author(s):  
Rafael Barbosa de Jesus Santana
Keyword(s):  

Resenha de OKPARANTA, Chinelo. Under the Udala Trees. New York: Editora Houghton Mifflin Harcourt, 2015.



2020 ◽  
Vol 52 (1) ◽  
pp. 349-390
Author(s):  
Gabriela Schneider ◽  
Domingos Abreu ◽  
Ana Lorena de Oliveira Bruel ◽  
Alexandre Jeronimo Correia Lima ◽  
Polyana Lunelli ◽  
...  
Keyword(s):  

Dentro da temática das relações entre educação, desigualdades sociais e pobreza, a finalidade do artigo é apresentar o desenho e os desafios metodológicos de uma pesquisa em desenvolvimento sobre os percursos escolares de estudantes vinculados ao Programa Bolsa Família (PBF), nos estados do Ceará e do Paraná. A pesquisa centra-se em uma coorte de estudantes que nasceram em 2002 e que são acompanhados por um período de 3 anos (2015 a 2017). Trata-se de uma pesquisa de caráter quantitativo, com análise transversal e longitudinal, realizada de modo interinstitucional e interdisciplinar. Nesta etapa, ela se vale de um banco de dados criado a partir do Sistema de Acompanhamento da Frequência Escolar do Programa Bolsa Família (Sistema Presença). Ao cotejar elementos teóricos e metodológicos, introduz problemas e mobiliza estratégias possíveis para o tratamento das informações, que possuem potencial de explicação da realidade analisada. 



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