Revista SOLETRAS
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Published By Universidade Do Estado Do Rio De Janeiro Uerj

2316-8838, 1519-7778

2021 ◽  
pp. 13-42
Author(s):  
Maria Angélica Furtado da Cunha ◽  
Alan Marinho César
Keyword(s):  

Este artigo focaliza a codificação semântico-sintática da construção de movimento transitivo, com o objetivo de tratar da relação entre o tipo de evento expresso pela construção e os esquemas cognitivos por ela acionados. A base teórica que fundamenta este trabalho conjuga a Linguística Funcional Centrada no Uso, a Linguística Cognitiva e a Gramática de Construções, investigando aspectos estruturais, semânticos, funcionais e cognitivos presentes nas instanciações dessa construção. Os dados empíricos foram coletados de fontes diversas: o Corpus Discurso & Gramática, o Banco de Sentenças da Justiça Federal do Rio Grande do Norte, o Banco de Dados do Programa de Estudos Sobre o Uso da Língua da UFRJ e textos disponíveis online em sites de revistas de ampla circulação. Os resultados da pesquisa revelam a existência de um esquema construcional que sanciona três subesquemas e sete microconstruções que, por sua vez, revelam noções de movimento causado, movimento percorrido e movimento associado. Da perspectiva sintático-semântica, a codificação linguística do evento de movimento transitivo projeta frames que manifestam diferentes tipos de movimento, como manipulação, transporte e deslocamento; em termos de estrutura cognitiva, os esquemas imagéticos apontam o traço focalizado do trajeto.



2021 ◽  
pp. 43-66
Author(s):  
Maria Claudete Lima

Este ensaio propõe uma tipologia das construções médias em português, baseada no Modelo Cognitivo Idealizado de Causalidade de Langacker (1991a), chamado “bola de bilhar”, e na noção de transitividade proposta por Hopper e Thompson (1980). Para tanto, discutem-se as características centrais da voz média e analisam-se, quanto à forma de codificação, à expressão da causa, ao tipo de evento, à motivação pragmática e à saliência das entidades, ocorrências retiradas do Corpus do Português NOW (DAVIES; FERREIRA, 2018), que abrange textos escritos do Brasil e de Portugal, de 2012 a 2019. Partindo da noção de construto absoluto de Langacker (1991a), propõe-se uma tipologia das construções médias em português, que se manifestam de forma lexical, sintática e perifrástica. Os resultados sugerem que as construções de voz inseridas no domínio medial são expressões distintas do mesmo construto de não atribuição de causalidade, o qual inclui ainda as construções passivas e impessoais



2021 ◽  
pp. 89-115
Author(s):  
Aparecida da Penha Krohling Christ ◽  
Lúcia Helena Peyroton da Rocha

Embasados na concepção de que a linguagem é fundamentada em processos cognitivos, socio-interacionais e culturais, analisamos, numa abordagem construcional, um grupo de sequências de palavras com o verbo cortar seguido de complemento que parecem formar uma única unidade, um chunk independente para fins de processamento e análise, muitas das quais denominadas expressões idiomáticas em abordagens lexicais. Vinculamo-nos ao quadro teórico-metodológico da Linguística Centrada no Uso, tendo como respaldo, entre outros, os estudos funcionalistas e cognitivistas de Lakoff e Johnson (2002), Goldberg (1995, 2006), Traugott e Trousdale (2013), Bybee (2016) e Langacker (1987). Valemo-nos de um corpus com dados de uso efetivo da língua constituído por textos coletados no jornal A Gazeta, que circula no estado do Espírito Santo, no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2017. Identificamos a frequência de 50 tokens e de 09 types, que nos permitem refletir sobre a influência do chunking e das projeções metafóricas na convencionalização dessas construções.  Observamos que as construções identificadas no corpus não apresentam o mesmo grau de composicionalidade, o que nos levou a propor um continuum e a estipular critérios de análise que nos auxiliassem no processo de distribuição dessas construções no continuum.



2021 ◽  
pp. 67-88
Author(s):  
Lilian Ferrari ◽  
Caroline Soares

Este artigo investiga a Metáfora de Corte-e-Costura no Português Brasileiro, que constitui, tal como a Metáfora do Conduto (REDDY, 1979), um dos mapeamentos metafóricos disponíveis para a referência à comunicação verbal. A partir de dados de uso retirados do Twitter, argumenta-se que a metáfora COMUNICAÇÃO VERBAL É ATIVIDADE DE CORTE-E-COSTURA é normalmente aplicada à construção transitiva, engendrando duas extensões metafóricas: a extensão transitiva prototípica, instanciada pelos verbos alfinetar e tesourar, e a extensão transitiva resultativa, instanciada pelos verbos alinhavar, costurar, tecer, tricotar.  Com o objetivo de investigar a produtividade da metáfora de corte-e-costura, a análise enfoca a frequência de sentidos literais e metafóricos para cada grupo de construções. Os resultados indicam que as extensões metafóricas prototípicas instanciadas por alfinetar e tesourar são mais frequentes que suas contrapartes literais.  Já as extensões metafóricas resultativas dividem-se em dois grupos: aquelas instanciadas por costurar e tricotar predominam em usos literais, já aquelas instanciadas por alinhavar e tecer ocorrem predominantemente em usos metafóricos.



2021 ◽  
pp. 145-160
Author(s):  
Roza Maria Palomanes Ribeiro

O presente artigo tem como objeto de estudo a construção X virar Uber. O fenômeno da uberização, crescente no Brasil e que   levou desempregados a se cadastrarem como motoristas do aplicativo administrado pela empresa UBER resultou no surgimento da construção em estudo frequente na fala do brasileiro. O propósito da pesquisa é analisar a construção sob o viés teórico da Linguística Cognitiva, mais especificamente no que tange os processamentos metafórico e metonímico (Lakoff e Johnson (2002), Radden e kövecses, (2007),  Lakoff e Turner (1989), Croft (1993)  e Gossens (2002)). Para tanto, coletaram-se dados através da ferramenta de buscas GOOGLE, levando-se em conta as 100 primeiras ocorrências distribuídas nas 10 primeiras páginas de busca, optando-se por um tratamento qualitativo dos dados. Após seleção e análise dos dados coletados, chega-se à conclusão de que ocorre, neste caso estudado, o fenômeno da metaftonímia do tipo metáfora da metonímia, em que a entidade conceptual Empresa Uber provê acesso mental à entidade conceptual motorista de aplicativo, dentro do mesmo domínio, configurando o processo metonímico. E, ao mesmo tempo, se dá um   mapeamento entre domínios da experiência sustentados pela metáfora O HOMEM É UMA ENTIDADE NÃO HUMANA. Espera-se, com a pesquisa, contribuir para os estudos sobre metaftonímia.



2021 ◽  
pp. 116-144
Author(s):  
Fábio Rodrigo Gomes da Costa ◽  
Marcia Dos Santos Machado Vieira
Keyword(s):  

O presente artigo tem como objetivo analisar a construção de atenuação do discurso, que, no plano da forma, é representada pela estrutura [trazerVsuporte + _____ Elemento não-verbal predicante (com Ndeverbal)]predicador verbal complexo. Esta construção licencia subesquemas construcionais que ou envolvem SN com Ndeverbal ou SP com Ndeverbal no segundo slot, destinado a elemento não-verbal predicante. A construção e seus subesquemas construcionais estão interconectados em uma rede construcional por meio de links taxonômicos, horizontais, sintáticos e lexicais, conforme o modelo de rede proposto por Diessel (2015). As expressões observadas, coletadas no banco de dados do site eletrônico da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), foram identificadas em discursos de deputados entre os anos de 2011 e 2019. O aparato teórico-metodológico desta análise é a Linguística Funcional-Cognitiva e da Gramática de Construções Baseada no Uso (GCBU). Da análise de dados, destacam-se estes resultados: (i) o preenchimento de elemento não-verbal por  SN com Ndeverbal viabiliza moldar o participante sujeito (que pode coincidir ou não com o enunciador) na figura de um porta-voz e (ii) seu preenchimento por SP com Ndeverbal viabiliza sobressair o papel do interlocutor no estado de coisas encaminhado pelo enunciador.



2021 ◽  
pp. 315-342
Author(s):  
Luis Filipe Lima e Silva ◽  
Ronaldo Rodrigues de Paula


2021 ◽  
pp. 161-188
Author(s):  
Flávia Saboya da Luz Rosa
Keyword(s):  

No presente artigo, objetiva-se traçar relações de duas metáforas conceptuais reconhecidas nos estudos cognitivistas, DISCUSSÃO É GUERRA e DISCUSSÃO DEFINE UM CAMINHO, com os processos que resultam em mudanças construcionais das microconstruções alto lá e toma lá dá cá. A pesquisa fundamenta-se na Linguística Cognitivo-Funcional (TOMASELLO, 1998) ou Linguística Funcional Centrada no Uso (adaptação de BYBEE, 2010). Este trabalho tem como base, sobretudo, a abordagem construcionalista de Traugott e Trousdale (2013) compatibilizada aos estudos sobre metáfora conceptual de Lakoff e Johnson (2003). Para a investigação pancrônica de alto lá (ROSA, 2019) valemo-nos do Corpus do Português e Corpus Tycho Brahe (século XIII ao XX), Diário do Congresso Nacional (séculos XX e XXI) e publicações contemporâneas da Web. Para o estudo sincrônico de toma lá dá cá (recorte de projeto em estágio inicial) foram coletados textos de 2000 a 2020 com uso da pesquisa avançada do Google. Por meio das análises dos contextos de mudança das microconstruções em foco, verifica-se o surgimento de novos conteúdos semânticos associados a conceptualizações socioculturalmente compartilhadas. Conclui-se, portanto, que a metáfora conceptual pode ser parte importante, junto a outros fatores tais como os históricos e os estruturais, nos processos de mudança e estabelecimento de construções linguísticas.



2021 ◽  
pp. 1-12
Author(s):  
Hanna Jakubowicz Batoréo ◽  
Mariangela Rios de Oliveira ◽  
Milena Torres de Aguiar

Texto de apresentação da coletânea, com reflexões teóricas sobre as duas correntes linguísticas e síntese dos 14 textos que compõem a obra.



2021 ◽  
pp. 216-234
Author(s):  
Ivo Costa Rosário ◽  
Vania Rosana Mattos Sambrana

Este artigo tem como objetivo principal investigar o uso da construção conectora “mas olha” no âmbito das relações discursivas do português contemporâneo. Com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso, com apoio na Gramática de Construções e nos estudos de coesão textual, analisamos ocorrências de “mas olha” pelo prisma da construcionalidade, em perspectiva sincrônica, como demonstrado em xxx (2019). Os dados são captados em blogues brasileiros do século XXI. Por meio de metodologia qualitativa, a análise dos contextos de uso permite a conclusão de que essa construção conectora foi formada por meio de chunking e de neoanálises sintática e semântica a partir de dois marcadores discursivos pré-existentes. No português, “mas olha” revela-se como um conector marginal, tendo em vista suas propriedades de uso no contexto de relações macrossintáticas, que extrapolam o âmbito do tradicional período composto. Em termos funcionais, atua na coesão sequencial entre proposições no campo das relações contrastivas, especialmente no nível do modus.



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