Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas
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Published By Universidade Estadual De Santa Cruz

2675-5432, 1517-5081

2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 307-337
Author(s):  
Victor Santos Gonçalves

O objetivo deste artigo é apresentar um mapeamento das maiores escravarias de Ilhéus no século XIX, ao identificar e analisar as atividades produtivas em que as famílias escravizadas estavam inseridas. Trata-se especialmente de relacionar as zonas produtivas da vila de Ilhéus naquele contexto, focando em suas características ambientais e econômicas articuladas aos padrões de propriedade escrava dos grandes senhores. Tenta-se ainda perceber o tipo de moradia dos escravos correlacionando com o perfil das famílias escravas, suas estratégias de compadrio e de formação de comunidades subalternas na vila/município de Ilhéus no século XIX.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 285-306
Author(s):  
Valéria Mara da Silva

Desde o início da colonização portuguesa, as formigas saúvas (Atta spp) foram consideradas um grave problema da agricultura brasileira. Ao longo do tempo, vários métodos de combate foram criados. Porém, na concepção de cientistas, agricultores, políticos e outros segmentos, a solução para o problema passava pela reformulação da agricultura como um todo. Enquanto no campo o lavrador lidava diretamente com as formigas, os debates transcorriam também na imprensa corrente, nos meios científicos e governamentais, envolvendo técnicas, ações e dimensões simbólicas. Considerando tais aspectos, esse artigo tem por objetivo analisar os debates acerca das saúvas entre o fim do século XIX e primeiras décadas do século XX, a partir das propagandas de formicidas veiculadas em jornais e periódicos agrícolas, que utilizaram os mesmos elementos para vender seus produtos e proclamar a salvação do país.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 43-71
Author(s):  
Fabio Guaraldo Almeida Guaraldo Almeida

Desde uma abordagem interdisciplinar típica da ciência arqueológica, o presente artigo pensa sobre a temporalidade da paisagem quilombola na Ilha de Tinharé, localizada no município de Cairú, estado da Bahia, através dos referenciais dos moradores locais. Entre as unidades de análise da pesquisa, a paisagem é importante para localizar e contextualizar a cultura material desta população afrodescendente e seus referenciais históricos. Para tanto, os dados da pesquisa etnográfica realizada junto a comunidade quilombola de Galeão (situada na ilha de Tinharé), foram relacionadas as informações levantadas na documentação histórica e bibliográfica, possibilitando o mapeamento dos sítios arqueológicos que compõe a atual paisagem quilombola da ilha de Tinharé, incluindo os antigos quilombos. Quanto ao processo histórico de formação dessa paisagem, o artigo apresenta uma dinâmica própria da diáspora. Para além do pensamento de relações polarizadas e de aspectos de controle – entre senhor/escravos, dominador/dominado, casa grande/senzala –, a dinâmica paisagem quilombola da ilha foi formada por redes de solidariedade, relações econômicas e ações cotidianas, onde circulavam comunidades de africanos e afrodescendentes formadas por escravos, forros, homens livres pobres e quilombolas, configurada como um verdadeiro “campo negro” (GOMES, 1995).



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 24-42
Author(s):  
Ayalla Oliveira Silva

O presente artigo, através do relatório da Repartição Especial das Terras Públicas da Província da Bahia, produzido em 1854, a fim de mapear a situação fundiária em Una no Sul da Província, analisa a atuação de uma parcela dos indígenas da região no contexto dos desdobramentos da regulamentação da Lei de Terras de 1850 no Sul da Bahia, quando estes alçaram a categoria social do “posseiro” no processo da expansão da fronteira agrícola regional, durante a segunda metade do século XIX.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 271-284
Author(s):  
Teresinha Marcis

O artigo discorre sobre a prática das autoridades do governo português na Bahia em relação aos índios, focando as vilas e aldeias da comarca de Ilhéus no período de 1759 a 1809. Defende que a aplicação da legislação integracionista, expressada no Diretório dos Índios, ocorreu com adaptações e ambiguidades e serviu, durante décadas, como referência para deliberações políticas e administrativas. Um diretor, nomeado pelo governador da Bahia, passou a compor o governo civil das vilas e aldeias criadas após 1759, reconfigurando o espaço social, político e econômico de acordo com o modelo português. Essa reconfiguração foi permeada por conflitos envolvendo moradores índios e luso-brasileiros e geraram demandas diversas tratadas pelas autoridades e registradas nas provisões, denúncias, solicitações e relatórios diversos, documentos que se constituem nas fontes que embasam a análise proposta.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 199-230
Author(s):  
Roberto Airon Silva

Este projeto de pesquisa arqueológica foi realizado no escopo de adequação e restauração de imóvel tombado, conhecido como Casa do Padre João Maria, lugar onde funcionou a sede do escritório do IPHAN – RN, na poligonal de tombamento do Centro Histórico da Cidade do Natal. O trabalho se fixou na Arqueologia Histórica quanto a sítios históricos e urbanos, assim como nas abordagens da Arqueologia da Arquitetura e da análise distribucional intra-sítio. O objetivo foi entender o processo de ocupação daquele espaço com os elementos que direcionassem as ações de adequação e de restauração. A metodologia considerou as intervenções construtivas anteriores, analisando áreas de maior e de menor impacto arqueológico. A intervenção arqueológica foi realizada com quadriculamento e registro fotográfico do estado atual da área construída. As análises dos elementos arqueológicos e arquitetônicos permitiu afirmar que a ocupação do arruado onde se situa a edificação, foi ocupada desde metade do século XVII, e ao longo do tempo, construções foram implantadas no sítio inicial da cidade. A partir dos materiais evidenciados, o local é um espaço utilizado com finalidade residencial dos séculos XVII ao XIX, com vestígios de pisos (tijoleira) e nove tipos de ladrilhos hidráulicos (séc. XX) além de tijolos de adobe e cerâmicos (sécs. XIX e XX), e a cultura material coletada, as quais evidenciam atividades de uso residencial, com áreas de cocção e refugo de cozinha, cerâmica regional, faianças, louças decoradas e camadas de solo antropogênico e de aterro com restos construtivos de desmonte e a presença de materiais reciclados.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 72-92
Author(s):  
Henrique De Sena Kozlowski ◽  
Paulo DeBlasis
Keyword(s):  

A modelagem preditiva arqueológica é uma ferramenta de resolução pragmática de problemas relacionados com a localização de sítios arqueológicos, relacionada principalmente com a diminuição de custos e aumento na eficiência de atividades de survey. Há uma preponderância na utilização de dois métodos distintos de modelagem preditiva: uma abordagem chamada de dedutiva e outra, indutiva. Neste artigo, iremos discutir aspectos destes dois tipos de técnicas de modelagem preditiva, aplicando os dois métodos mais recorrentes na literatura em uma área piloto na região sul de Santa Catarina, a bacia do Rio Capivaras. Os modelos preditivos foram utilizados para avaliar a distribuição espacial de um tipo particular de sítio na região, caracterizado pela presença de uma mancha circular de solo bastante escuro com materiais líticos e resíduos de atividades de combustão. Com objetivo de avaliar criticamente os diferentes métodos de modelagem, foram realizados alguns testes comparativos, demonstrando pontos positivos e negativos de cada método.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 231-252
Author(s):  
Rodrigo Osório Pereira
Keyword(s):  

Este artigo objetiva estudar os registros das remessas de produções naturais da Capitania da Bahia para o mundo atlântico, especialmente a cidade de Lisboa. Tais remessas eram cuidadosamente registradas no dia a dia do Governo colonial e estão presentes no inventário dos documentos relativos ao Brasil existentes no Arquivo de Marinha e Ultramar, no período compreendido entre Fevereiro de 1786 a Agosto de 1807, que atualmente compõem os volumes 34, 36 e 37 dos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Analisando 18.373 documentos listados em ordem numérica com detalhada titulação e grande padronização, foi possível uma observação serial dos temas, sujeitos, instituições e datas envoltos nos documentos de remessas. Após a análise, organizamos um guia específico para as fontes que faziam referência ou a remessas ou a informações acerca de qualquer produção natural inseridas entre os três Reinos da natureza. Além disso, organizamos um guia adicional de fontes relativo às “Memórias”, relatórios quase sempre elaborados à luz da Filosofia Natural e destinados aos circuitos letrados ou aos produtores coloniais. O recorte temporal adotado, que coincide com os três volumes indicados (34, 36 e 37) baseia-se em estudo maior que identifica este período (1786-1808) como um intervalo estratégico para a observação de políticas naturais no universo colonial lastreado pela Filosofia Natural, campo científico que balizava naturalistas e agentes públicos do Real serviço a se ocuparem das remessas naturais.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 124-150
Author(s):  
Rafael Dos Santos Barros
Keyword(s):  

A existência da escravização dos povos indígenas é alvo de muitas discussões nos meios acadêmicos. Durante muito tempo foi propagado pela historiografia que os índios foram pouco escravizados, pois não se adaptariam ao trabalho sistemático das lavouras. Porém, nos últimos anos, os historiadores vêm apontando para o equívoco dessas noções. Na Bahia setecentista, os homens da fronteira formaram aldeias particulares com o objetivo de se tornarem senhores escravocratas, um dos principais meios para ocupar um lugar de destaque na hierárquica sociedade do Antigo Regime. A formação desses núcleos erigiu da precisão de mão de obra para abastecer os pequenos, médios e grandes proprietários do Recôncavo. Com dificuldade de acessar o mercado de escravos africanos, utilizando a força de trabalho indígena, parece estar claro que a escravização dos negros da terra era uma das principais motivações para o deslocamento dos homens do litoral para o sertão.



2019 ◽  
Vol 18 (33) ◽  
pp. 151-198
Author(s):  
Renato Kipnis ◽  
Solange Bezerra Caldarelli
Keyword(s):  

O artigo apresenta e discute a identificação e interpretação de sítios arqueológicos pré-cerâmicos a céu aberto no Sudeste da planície amazônica, a partir de pesquisas arqueológicas realizadas para o licenciamento ambiental da atual Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará, que veio a substituir, na segunda década do século XXI, com alterações de projeto, a antiga UHE Kararaô, pesquisada na década de 80 do século XX. A descoberta de sítios líticos a céu aberto no Sudeste amazônico, atribuídos a sociedades caçadoras-coletoras, se deu quando dos estudos para o projeto da antiga UHE Kararaô e foi confirmada pelas pesquisas realizada na segunda década do Século XXI. O artigo apresenta e discute os dados (incluindo datações radiocarbônicas) advindos desses estudos.



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