Este texto investiga a alteração da dialética público/privado, que marcara a modernidade, no cenário da sociedade tecnológica contemporânea. A partir das teses de Richard Sennett, postas em diálogo com a analítica do poder foucaultiana, a modernidade é caracterizada segundo dois eixos centrais: privilégio do espaço privado sobre a esfera pública, propriamente política, e consolidação de certa experiência de si como interioridade. Nesta virada de século, delineiam-se o declínio de tal experiência de si e a correlata dissolução da nítida fronteira anteriormente traçada entre as esferas do público e do privado, tanto sob a forma da crescente privatização do espaço público quanto da emergência de novas formas de autotematização, de sociabilidade e de percepção de mundo. Como objeto de investigação, privilegia-se uma recente exposição de projetos arquitetônicos de moradias, no MOMA de Nova York, intitulada “A casa nãoprivada”.