Cadernos de Ética e Filosofia Política
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Published By Universidade De Sao Paulo, Agencia USP De Gestao Da Informacao Academica (AGUIA)

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2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 389-404
Author(s):  
Breno Benedykt ◽  
Maurício Pelegrini ◽  
Renan Ferreira da Silva

Apresentação da tradução e tradução do texto de Alain Brossat.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 278-295
Author(s):  
Henrique Piccinato Xavier

A partir de um dos primeiros textos publicados por Marilena Chaui, o “Terceira margem. Notas para um rodapé selvagem” de 1976, que inaugura a sua reflexão acerca do estatuto político das mulheres e, ao mesmo tempo, amadurece suas primeiras ideias acerca do que viria constituir o Nervura do real (sua principal obra sobre Espinosa), o nosso ensaio se pergunta acerca da possibilidade de um feminismo espinosano operando na obra de Chaui. Para tanto, procuramos dar conta de como o referido texto de 1976 aborda a aparente hipótese da rejeição da participação das mulheres na democracia no Tratado político de 1677 de Espinosa, sendo esta rejeição um problema enfrentado pelas principais feministas contemporâneas que recorrem à filosofia de Espinosa para fundamentar suas ideias e lutas. Levando em conta esta última consideração e o fato de que no Brasil ainda sejam raras as aproximações entre feminismo e Espinosa (algo diferente do que acontece internacionalmente), o nosso ensaio apresenta um apêndice contendo o mapeamento das principais obras, autoras e linhas do que contemporaneamente vem a ser chamado de feminismo espinosano.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 21-32
Author(s):  
Halina Macedo Leal

A análise de processos de opressão de gênero começa a emergir nas reflexões filosóficas, seja pelo foco no funcionamento do sistema patriarcal ou pelo foco na intersecção do patriarcado com relações de dominação a partir de origens etnicorraciais. Em geral, tais reflexões buscam examinar os fundamentos dos sistemas opressivos e a reação das mulheres a tais sistemas. São localizadas diferentes formas e demandas dos movimentos feministas e os modos como estes procuram, por meio da discussão sobre gênero, fortalecer o papel social e político das mulheres. Neste contexto, o presente artigo visa examinar o lugar do  feminismo negro no debate e suas  bases de sustentação, tendo em vista as peculiaridades das necessidades das mulheres negras. Estas peculiaridades estão relacionadas à inseparabilidade estrutural entre patriarcado, sexismo, racismo esuas articulações que implicam em múltiplas situações de opressão sofridas por este grupo de mulheres. Em outras palavras, busca-se analisar a centralidade do conceito de interseccionalidade para a compreensão da atuação do feminismo negro nas reflexões filosóficas acerca da condição da mulher negra na sociedade.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 80-91
Author(s):  
Janice Aparecida de Souza ◽  
Alessandra Sampaio Chacham
Keyword(s):  

Este artigo aborda a invisibilidade da homossexualidade feminina a partir da análise da experiência de uma “Confraria” de Lésbicas mineiras nascidas na década de 1950. O objetivo é refletir sobre os usos que faziam dos espaços e sobre as interações possíveis à época. Se é a partir dos processos de interação social que o sentido e o significado nas relações emergem, a forma pela qual a cidade acolhe ou ignora e invisibiliza determinados sujeitos impacta suas vidas. O modo pelo qual elas se apropriaram dos espaços disponíveis na cidade de Belo Horizonte e a criação de outros espaços mais reservados foram fundamentais para a criação de longevos vínculos de amizade e convivência. Tais vínculos parecem ter colaborado para uma rede de apoio mais estruturada na velhice formada por  relações de afeto, amizade e solidariedade.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 333-343
Author(s):  
Veronica Calado

O primeiro tratado versando sobre a necessidade do desenvolvimento de cooperação internacional para a defesa dos direitos humanos, independentemente de raça, sexo, língua ou religião, foi a Carta das Nações Unidas (1945). A partir de então outros documentos, tais como a Convenção Interamericana sobre a concessão dos direitos civis à mulher (1948), Convenção sobre os Direitos Políticos (1953), Convenção para eliminar todas as formas de discriminação contra a mulher (1979), foram firmados. No Brasil, a questão da desigualdade de gênero voltou a ser debatida, na esteira no processo de redemocratização nacional, a partir da década de 1980. Não obstante, a agenda política internacional persiste na defesa da superação da desigualdade sob o viés individual, ignorando sua interface com outras questões, tais como: pobreza, raça ou etnia, entre outras. Negligenciam-se também aspectos importantes ao debate, tais como a desnaturalização e a dimensão identitária do corpo, e a ética feminista da negação do dever de cuidado. Observar a mulher para além dos limites impostos pela divisão sexual e social do trabalho pode auxiliar no processo de efetivação dos direitos e garantias fundamentais assegurados a esse grupo focal pela via normativa, mas reiteradamente negados pelos costumes.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 252-265
Author(s):  
Larissa Guedes Tokunaga

O feminismo antipredicativo de Emma Goldman incita ao cotejo de seu prisma anarquista com o de uma filosofia de ontologia radical, uma transversalidade que resgata a matriz do ideário anarquista, a saber: o indivíduo. A partir do presente artigo, pretende-se realizar um diálogo entre o conceito de “individualidade humana” propugnado por Goldman e os ideários de Max Stirner e Henrik Ibsen, leituras de cabeceira da autora. A filosofia stirneriana, ao rechaçar as mediações externas, contribuiria para a valorização do “eu” enquanto bastião da revolta contra as instituições hegemônicas, ao passo que o teatro social moderno ibseniano estimularia a anarquista a entrever na arte um instrumento de consciência voltada à autonomia da mulher, a qual passaria a questionar sua objetificação e a se autogovernar enquanto ser humano. O devir, que imprimiria a marca de incongruência em relação a quaisquer modelos programáticos de insurgência, se consubstanciaria em um feminismo antipredicativo crivado pela filosofia e teatro dessubjetivadores/subjetivadores.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 92-103
Author(s):  
Carolina Bernardini Antoniazzi
Keyword(s):  

O presente artigo persegue a seguinte questão: seria a maternidade uma forma de opressão? Para tanto, partimos do conceito de opressão formulado por bell hooks. A fim de analisar a experiência da maternidade enquanto vivida por um sujeito único, mas, ao mesmo tempo, constrangida por estruturas sociais generificadas, ancoraremos a maior parte de nossa análise em Iris Young. O pensamento da autora é habilidoso ao entrelaçar uma corrente fenomenológica à crítica social, dando conta de problemas que surgem nas pautas feministas acerca de subjetividades em relação a marcadores sociais. É pertinente, ainda, na medida em que Young se ocupa amplamente de temas e problemas ligados à maternidade, dando maior ênfase a este debate do que normalmente observamos. Silvia Federici também é central neste ponto, fornecendo ferramentas para entendermos a reprodução como um trabalho. Procuramos demonstrar como as tarefas do cuidado estão amplamente relacionadas à maternidade e, provavelmente, foram naturalizadas como pertencentes à esfera feminina em decorrência do próprio trabalho reprodutivo.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 364-387
Author(s):  
Judith Butler ◽  
Fernanda Miguens ◽  
Carla Rodrigues
Keyword(s):  

As reflexões anglófonas e teóricas sobre gênero muitas vezes assumem o caráter generalizante das suas próprias afirmações sem antes colocar a pergunta sobre se o “gender” existe como termo, ou se existe da mesma maneira em outras línguas. Parte da resistência à entrada do termo “gender” em contextos não anglófonos surge de uma resistência anterior ao inglês ou, de fato, apoiada na sintaxe de uma língua na qual as questões de gênero são resolvidas através de inflexões verbais ou de uma referência implícita. É claro que uma forma mais abrangente de resistência tem relação com os medos de que a categoria possa produzir, por si mesma, formas de liberdade sexual e desafios para as hierarquias existentes na língua para a qual está sendo traduzida. O ataque político e organizado ao gênero e aos estudos de gênero que está acontecendo no mundo todo tem muitas fontes, mas não é esse o foco desse ensaio. Este ensaio sustenta que não pode existir teoria de gênero sem tradução e que o monolinguismo anglófono muitas vezes assume que o inglês constitui uma base suficiente para as afirmações teóricas sobre gênero. Além disso, na medida em que o uso contemporâneo do termo “gender” vem de uma criação introduzida por sexólogos e, posteriormente, reapropriada pelas feministas, desde o início o termo esteve vinculado à inovação gramatical e aos desafios sintáticos. Sem um entendimento da tradução – com sua prática e seus limites – os estudos de gênero não podem existir num enquadramento global. Finalmente, o processo de se tornar de um gênero, ou de mudar de gênero, requer tradução para comunicar outros termos de reconhecimento das novas modalidades de gênero. Sendo assim, a tradução é parte constitutiva de qualquer teoria de gênero que busque ser multilíngue e aceite o caráter historicamente dinâmico das línguas. Esse enquadramento pode facilitar o caminho para o reconhecimento de diferentes gêneros, assim como de diferentes considerações sobre a identidade de gênero (essencialista, construtivista, processual, interativa, interseccional), que requerem tanto a tradução quanto uma definição de seus limites. Sem a tradução e a invenção histórica do termo “gender” não há como compreender a categoria dinâmica e mutável do gênero ou as resistências que ela hoje enfrenta.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 227-238
Author(s):  
Patrícia Sheyla Bagot de Almeida

Se as considerações de Nietzsche sobre a mulher são variadas, difíceis e até problemáticas, posto que não se pode atribuir um único sentido ao termo, o mesmo, em parte, não ocorre com o termo emancipação. Nietzsche apresenta aforismos nos quais demonstra algumas noções atribuídas ao termo. Não obstante, o filósofo trata da emancipação feminina não do ponto de vista exclusivamente político, mas da mulher como uma ideia “em si”. Neste artigo, partirei de alguns aforismos da obra Além do bem e do mal, de 1886, na qual é possível verificar o sentido que ele dá ao termo, assim como esquadrinhar os indícios do modo como ele lê a crença da igualdade buscada pela mulher, a fim de demonstrar a incoerência da proposta de emancipação, uma vez que, a partir da quebra da distinção e do abandono da diferença entre homem e mulher, é que se exigia o sacrifício da internalização dos valores masculinos em um consequente esvaziamento, embotamento e regressão do que é singular na mulher. Para desenvolver o objetivo proposto, relacionarei o tema a outros aforismos a fim de ressaltar que a problemática da emancipação feminina como condição sine qua non de pertencimento do espaço público, locus no qual as ações políticas são efetivas e consideradas, fora também problematizadas por Wollstonecraft, no que Carole Pateman denominou o “dilema Wollstonecraft”, a saber, exigir igualdade é aceitar a concepção patriarcal de cidadania, na qual as mulheres devem parecer-se aos homens a fim de serem vistas no cenário público, âmbito da ação política. Assim, buscarei examinar a análise de Nietzsche no que tange a emancipação feminina e seus desdobramentos conceituais, sem, no entanto, deixar de realizar outras tecituras com autoras que pensaram essa concepção.



2021 ◽  
Vol 39 (2) ◽  
pp. 214-226
Author(s):  
Adriana Delbó

Este texto está vinculado a uma investigação contemporânea dos problemas de gênero a partir de Nietzsche, visando pensar se naquilo que já está dado como mulher não há a obediência a ideais que exigem que a cada gênero seja necessário atender às amarras que significam exatamente impedimentos à criação de si. Tomando como principal referência o aforismo 68 de A Gaia Ciência, pretendo discutir as cenas e os diálogos elaborados por Nietzsche, os quais desbancam a discussão que os homens travam para a determinação das mulheres. Contrapõe-se a isso, o poder das mulheres de elaborarem-se a si mesmas. Trata-se de uma leitura que vê em Nietzsche contribuições para a análise das dicotomias de gênero como determinações daquilo que se é, e, consequentemente, a impossibilidade para que cada pessoa possa fazer-se para além do que já está autorizado pelas sociedades.



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