MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN 0104-0944
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Published By Universidade Federal Do Para

0104-0944

Author(s):  
Ana Paula Macedo Cartapatti Kaimoti
Keyword(s):  

Este artigo propõe um estudo comparativo entre os romances “K: relato de uma busca” (2016), de Bernardo Kucinski, e “Reflexos do Baile” (1976), de Antonio Callado. Os anos que separam as duas publicações tornam mais complexos os paralelos entre elas, tanto aqueles relativos à temática: o autoritarismo e a violência da ditadura militar, na década de 70, no Brasil, quanto à forma como ambas se apresentam: a multiplicação de vozes narrativas e a simulação de outros gêneros textuais, como cartas, informes e relatórios, na composição do texto, entre outros aspectos. Esses modos de narrar a experiência do regime militar apontam para a necessidade, na literatura nacional, de se narrar a experiência do autoritarismo e da violência, cuja recorrência, um retorno do reprimido, indica uma dificuldade: a do enfrentamento coletivo do legado desse momento da história do Brasil e da memória de seus mortos e desaparecidos.


Author(s):  
Diego Kauê Bautz

Espera-se, aqui, iluminar alguns traços da escrita de Bernardo Kucinski referentes ao período da ditadura militar brasileira. Como o escritor tem uma considerável produção que abarca esse período, analisou-se detidamente apenas um conto do autor para, assim, perceber com o máximo de atenção a constituição do universo narrativo. O conto analisado foi “Joana”, publicado em Você Vai Voltar pra Mim e Outros Contos (2014), pois, como já existem estudos sobre esse texto, foi possível estabelecer um diálogo com leituras anteriores a fim de ampliar a visão sobre o conto e, a partir disso, identificar alguns artifícios recorrentes dos quais o escritor se vale para representar o período da ditadura. Desta forma, foi possível identificar que Kucinski, além de denunciar em sua obra os crimes cometidos pela ditadura, insere-se em uma certa tradição da literatura brasileira voltada para a representação de projetos de nação orientados por um gerenciamento da morte.


Author(s):  
Felipe Bruno Da Silva Cruz ◽  
Mayara Ribeiro Guimarães
Keyword(s):  

Este trabalho propõe uma reflexão a respeito das noções de verdade institucional e de memória pessoal trabalhadas por Bernardo Kucinski no romance K. Relato de uma busca, discutindo como essas noções contribuem para a produção da história oficial da Ditadura Militar instaurada no Brasil em 1964. A partir da proposta feita por Walter Benjamin de que se escove a história “a contrapelo”, procura-se, nesse trabalho, demonstrar as maneiras desenvolvidas por Kucinski para se opor ao registro oficial da história brasileira como modo de resistência e de preservação da memória dos desaparecidos durante o regime militar brasileiro, especialmente a experimentação com o foco narrativo e a recusa em definir a obra enquanto verdade ou ficção.


Author(s):  
Virginia Holzer ◽  
Carmem Carrasco Luján

En este artículo proponemos una lectura de los feminicidios representados en la cuarta parte de 2666 (2004) de Roberto Bolaño (“La parte de los crímenes”) y en Chicas muertas (2014) de Selva Almada a partir de lo que entendemos como “basurización” del cuerpo femenino. Esta basurización es provocada, según las narraciones, por diversos factores, entre los que proponemos juegan un papel central la neoliberalización de la economía, un discurso machista (violencia simbólica), la impunidad y la desensibilización de los ciudadanos mediante la repetición de estos crímenes, es decir, su exceso.


Author(s):  
Rafael Lucas Santos da Silva ◽  
Marisa Corrêa da Silva

O artigo propõe uma hipótese de leitura da narrativa “O Outro”, do escritor Rubem Fonseca (1925-2020), a partir do Materialismo Lacaniano. Com base, especialmente, na noção de “espectro fantasmático”, conforme estudada pelo filósofo Slavoj Žižek (1996a, 2014, 2011a, 2017), focaliza-se o narrador e suas relações com a matéria ficcional da pobreza, buscando esclarecer o significado do artifício narrativo empregado referente à insólita e contraditória formalização das relações de classe dos personagens. Acredita-se que a temática elaborada na narrativa em questão possui lastro histórico com longo percurso de sedimentação no processo histórico-social, especialmente no que tange à figura do “homem livre pobre” (SCHWARZ, 1990, 2000), fazendo ser necessário levar em consideração o binômio exclusão/representação das classes marginalizadas na produção literária brasileira, cuja reflexão estará atrelada à noção do Real lacaniano.


Author(s):  
Benjamin Da Costa Araújo ◽  
Ivânia Dos Santos Neves

O presente artigo reflete sobre as possíveis constituições de humanidade a partir de conceitos e concepções fundamentais de ser/sujeito/humano apresentados tanto na perspectiva ameríndia proposta por Viveiros de Castro e outras vozes discursivas quanto no pensamento da ontologia ocidental – ancoradas no antropocentrismo. Atento às diversas narrativas dos pajésYanomami do grupo Parahiteri presentes no livro “O surgimento dos pássaros” procurou-se fazer aqui uma análise do narrar cosmológico de povos originários com um olhar reflexível – e não menos refratário – ao modo inexorável de ser e de estar neste mundo dos napë (homens) estruturado pela razão. A natureza/planeta como espaço de encontro/confronto de ambas as concepções faz emergir de um lado as contradições de uma razão – e seus mecanismos de dominação e controle do mundo natural – que pressupõe o progresso de uma humanidade, e do outro, um levante de vozes e de vidas indígenas e sua ligação com um mundo natural.


Author(s):  
Jope Leão Lobo ◽  
Rogério Caetano de Almeida

Qual é a dimensão de homem? Segundo Steiner (1988), essa é a pergunta a que o crítico literário deve responder quando analisa uma obra literária. Um poema sem título presente no livro A morte sem mestre, de Herberto Helder, será analisado com essa intenção. Dessa forma, pretende-se identificar qual é o tipo de homem que permeia a linguagem do referido poeta. Para isso, recorreu-se à filosofia do Absurdo e a alguns autores que discutem a relação entre linguagem, tecnologia e humanidade, como George Steiner (1988) e Deleuze e Guatarri (1995). Porém, não pode se esquecer de que Helder é um homem contemporâneo, assim, por meio da barbárie, ligaram-se as teorias da modernidade, principalmente Compagnon (1999), ao Absurdo. Com isso, espera-se concluir que a linguagem de Helder é permeada pela lógica rizomática, demonstrando um homem que busca a totalidade na junção do racional com o irracional por meio da empatia.


Author(s):  
Francielie Moretti ◽  
Felipe Dos Santos Matias
Keyword(s):  

O presente artigo apresenta um estudo analítico da obra Parque Industrial (1933), da escritora Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), popularmente conhecida como Pagu, dialogando com as considerações teórico-críticas sobre engajamento propostas pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre, em Que é a literatura? Pagu faz uma crítica ao intenso processo de industrialização desumanizadora característico das primeiras décadas do século XX no Brasil, especialmente na cidade de São Paulo, evidenciando o abismo entre os privilégios usufruídos pela classe dominante e a miséria vivida pelos trabalhadores. A partir da análise realizada, pode-se dizer que a narrativa de Parque Industrial expõe os dramas vividos pelo proletariado no sistema capitalista, explorado à exaustão. A obra realiza também uma problematização a respeito do feminismo burguês no país, que tendo como principais pautas o sufrágio feminino e o direito das mulheres ao trabalho, mostrava-se alheio à realidade vivenciada pelas proletárias, principalmente em relação ao racismo enfrentado pelas mulheres negras.


Author(s):  
Giulia Riccò

The novel K. Relato de uma busca, whose publication coincided with the Brazilian National Truth Commission, has proven remarkably more effective in producing a public and institutional reckoning with the crimes of the military regime than any of the institutional mechanisms implemented by the government or any other testimonial novel previously written about the abuses of the military regime. Its appeal, in part, has to do with Kucinski’s usage of various discourses—fiction, testimonial, epistolary—that successfully challenge the authoritative, and non-dialogic discourse of the military regime. This essay argues that in this novel, politics and fiction are inverted: instead of having a law that fictionalizes the memory of the violence perpetrated by the dictatorship, we have a work of fiction that, by memorializing the struggle of a father in search of his disappeared daughter, brings the crimes committed by the military back into the political discourse.


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